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Por que as pernas ficam pesadas quando você corre? Na maioria das vezes, a explicação é bem simples. Pode ser treino forte nos últimos dias ou pouca comida e pouco líquido. Pode ser uma noite mal dormida ou um ritmo para o qual as pernas ainda não estão preparadas. Repare em que momento o peso aparece pela primeira vez. É esse momento que mais revela por que as pernas pesam durante a corrida. Pernas pesadas nos primeiros minutos não significam a mesma coisa que um peso que vai aumentando no fim de um longão.
A tabela abaixo, organizada pelo momento em que o peso aparece, ajuda a afunilar a causa. Cada causa vem com uma solução. Teste essa solução na próxima corrida. O guia rápido de decisão ajuda você a decidir se corre hoje.
Uma lista curta de sinais de alerta cobre os casos médicos, que são menos comuns. Um coágulo sanguíneo ou uma síndrome compartimental exige avaliação médica (e não um ajuste no treino).
Resposta Rápida: Por Que as Pernas Ficam Pesadas na Corrida
Na maioria das vezes, pernas pesadas na corrida se resumem a um destes cinco fatores. Três deles são pouca recuperação entre esforços fortes, pouco combustível ou pouco líquido (principalmente em dias quentes) e sono ruim. Os outros dois são um treino forte ou uma sessão nova de musculação nos últimos dias e uma passada que aterrissa muito à frente do corpo.

Por si só, a sensação é comum e raramente indica um problema sério. A maioria dos casos melhora com um treino mais leve, uma alimentação melhor ou mais horas de sono. Alguns padrões fogem da regra: peso com inchaço em uma perna só, peso que aparece no mesmo ponto em todas as corridas e um cansaço que se arrasta por semanas. Eles são tratados na seção sobre causas médicas mais abaixo.
O Momento em Que Aparece Explica o Motivo
Antes de ler cada uma das causas abaixo, veja em que momento o peso começa. O momento não é um diagnóstico, mas encurta a lista.
| Quando aparece | Causa provável |
|---|---|
| Logo nos primeiros passos | Falta de aquecimento, ou cansaço que sobrou de um treino forte nos últimos dias |
| No meio da corrida, principalmente em dia quente | Calor e perda de líquido |
| No fim de uma corrida longa ou forte | Pouco carboidrato como combustível, ou uma largada mais rápida do que o seu condicionamento permite |
| No mesmo ponto em toda corrida, sumindo em até cerca de 15 minutos depois que você para | Possível síndrome compartimental, se vier com aperto, dor ou formigamento; procure um médico |
| Em todas as corridas ultimamente, até nas leves, sem melhorar com descanso | Mais carga de treino do que você consegue recuperar, ou às vezes ferro baixo ou alimentação insuficiente |
Use a tabela como ponto de partida e depois leia a seção correspondente. Se o peso passa depois que você aquece, é um bom sinal. Aquecer ajuda: uma revisão de 32 estudos concluiu que o aquecimento melhorou o desempenho em 79% das medidas avaliadas (Fradkin et al., 2010). Corra o primeiro quilômetro e meio, mais ou menos, com calma antes de julgar como estão as pernas.
Há mais um ponto para verificar. Se as pernas entregam os pontos primeiro enquanto a respiração ainda está tranquila, veja a parte sobre pernas que cansam antes do fôlego.
Pernas Pesadas São Normais? Fadiga Normal vs. Anormal
Sim, na maioria dos casos. Pernas pesadas e cansadas fazem parte da corrida, principalmente depois de uma semana puxada ou de um esforço maior que o habitual. O próximo passo é descobrir que tipo de fadiga você está sentindo. A fadiga normal e um padrão que precisa de uma solução de verdade pedem respostas diferentes.

A fadiga normal diminui depois que você aquece direito ou passa após um ou dois dias de descanso. É desconfortável, mas não piora com o tempo. Depois de um período puxado de propósito, como uma semana de treino com mais volume, a queda pode demorar mais para passar. Os cientistas do esporte chamam isso de overreaching funcional: o desempenho cai por um tempo, depois se recupera e pode até melhorar após o descanso (Meeusen et al., 2013).
A fadiga anormal não passa com descanso. Ela aparece também no início das corridas leves e tende a piorar ao longo de várias semanas, em vez de melhorar. Esse padrão aponta para um problema de carga e recuperação (tratado na próxima seção) ou, às vezes, para uma causa médica.
Se não tiver certeza de qual é o seu caso, tire um dia inteiro de descanso e veja como se sente. Se as pernas estiverem bem melhores, provavelmente era fadiga normal. Se não melhorarem, trate esse peso como o padrão anormal e passe pelas causas abaixo.
Causas Relacionadas ao Treino
Essas causas geralmente se resolvem com um ajuste no treino ou na recuperação, e não com uma consulta médica.
Treino em Excesso e Recuperação Insuficiente
Quando você aumenta a quilometragem ou a intensidade mais rápido do que o corpo consegue se adaptar, as pernas podem ficar pesadas em todas as corridas. É uma causa comum. Fique atento ao padrão anormal descrito acima: uma noite de sono não elimina totalmente o peso, e ele começa a aparecer também nos dias leves.
Ajuda conhecer os prazos. Um consenso conjunto do European College of Sport Science e do American College of Sports Medicine descreve o overreaching como uma queda de desempenho de curto prazo cuja recuperação pode levar "de vários dias a várias semanas", e é possível se recuperar em cerca de duas semanas. O consenso conta como parte dessa carga o estresse de fora do treino, e não só o treino em si. O overtraining é uma queda mais longa, em que a recuperação "pode levar várias semanas ou meses" (Meeusen et al., 2013). A síndrome de overtraining só é diagnosticada depois que um médico descarta outras causas, como anemia, problemas de tireoide ou uma infecção.
Solução: reserve pelo menos um dia de descanso ou de treino realmente leve por semana e faça a maior parte das corridas em um ritmo leve, em que dá para conversar. Até atletas de elite de endurance fazem cerca de 80% dos treinos em baixa intensidade (Seiler, 2010). Se as pernas estão pesadas há algum tempo, reduza a intensidade e o volume por vários dias e veja como fica uma corrida leve antes de voltar a aumentar a carga. Se duas semanas de treino mais leve não resolverem, procure um médico.

Dor Muscular Tardia (DOMS) de um Treino Forte ou Musculação Nova
A dor muscular de início tardio (DOMS, na sigla em inglês) é aquele peso dolorido e rígido que vem depois de um exercício ao qual você não está acostumado ou que foi mais forte que o normal. Ela costuma surgir de 24 a 72 horas depois do treino e passa sozinha (Mágero et al., 2026). O trabalho excêntrico, em que o músculo se alonga sob carga, causa mais dessas microlesões musculares do que os outros tipos de contração. A DOMS também é mais comum quando você volta a treinar depois de um tempo parado (Cheung et al., 2003).
Se as pernas ficam pesadas no dia seguinte ao seu primeiro treino de perna na academia, ou depois de um intervalado forte, a DOMS é a causa provável.
Solução: programe a musculação pesada longe dos treinos-chave, e não na véspera de um deles. Planeje em torno da janela de 24 a 72 horas e saiba que uma corrida leve no dia seguinte vai parecer mais difícil que o normal. Se você corre quase todos os dias, faça treinos mais curtos e mais leves no dia ou nos dois dias seguintes a uma sessão que deixe você dolorido (Cheung et al., 2003). Uma caminhada de volta à calma pode ser agradável, mas as pesquisas indicam que ela faz pouco pela dor do dia seguinte (Van Hooren & Peake, 2018). Meias de compressão ou canelitos podem fazer mais pela sensação nas pernas. Uma revisão de estudos com corredores encontrou uma grande redução da dor muscular nas pernas depois da corrida, mas nenhum efeito relevante nos tempos de prova (Engel et al., 2016).
Postura de Corrida Ruim
Aterrissar com o pé muito à frente do corpo, o chamado overstriding, aumenta a força de frenagem a cada passo (Lieberman et al., 2015). Em um estudo com 45 corredores amadores, uma cadência de 5% a 10% maior que a habitual reduziu a energia que o joelho precisava absorver, enquanto uma cadência 10% menor aumentou essa energia em todas as articulações (Heiderscheit et al., 2011). Mais frenagem e mais trabalho do joelho a cada passo podem cansar as coxas mais cedo.
Pisar com o calcanhar, por si só, não é o problema. Uma revisão de 53 estudos não encontrou vantagem de economia de corrida para quem pisa com o antepé, e mudar para uma pisada de antepé transferiu a carga para o tornozelo e os músculos da panturrilha. Os autores não recomendam mudar o tipo de pisada se você não está lesionado (Anderson et al., 2020).
Solução: dê passos um pouco mais rápidos e mais leves, aterrissando mais perto, logo abaixo do corpo. Faça a mudança aos poucos. Nosso guia sobre como aumentar a cadência na corrida mostra como. Se uma perna fica sempre mais pesada que a outra, peça a um fisioterapeuta ou a um médico para avaliar, em vez de seguir forçando. Procure atendimento logo se essa perna também estiver inchada, quente ou dolorida.
Pernas Que Cansam Antes do Fôlego
Às vezes as pernas entregam os pontos primeiro, enquanto a respiração ainda está tranquila. O que você sente é fadiga muscular: naquela corrida, o limite está nos músculos, e não no coração e nos pulmões. Pode ser que as pernas ainda não tenham se adaptado. Isso costuma acontecer quando a quilometragem, as subidas ou o ritmo aumentam mais rápido do que elas aguentam.
O treino de força é um bom ponto de partida. Uma revisão sistemática de 24 estudos com corredores de fundo que tinham pelo menos seis meses de experiência concluiu que acrescentar treino de força em geral melhorou a economia de corrida (quanta energia você gasta em um determinado ritmo) de 2% a 8%. Os tempos em contrarrelógios de 1,5 a 10 km também tenderam a melhorar. Os autores sugerem de duas a três sessões de força por semana (Blagrove et al., 2018).
Solução: comece com uma ou duas sessões curtas de exercícios básicos de perna. Agachamento, afundo e elevação de panturrilha são boas opções. As pernas precisam de tempo para se acostumar. Vá aumentando até duas ou três sessões por semana e mantenha essas sessões longe das corridas que mais exigem das pernas.
Causas Ligadas à Alimentação e Hidratação
Problemas de combustível e de líquidos costumam ser os mais rápidos de resolver (às vezes já na próxima corrida). Ferro baixo e alimentação insuficiente por longos períodos levam mais tempo e pedem outra abordagem.
Poucos Carboidratos (Glicogênio)
O corpo armazena carboidrato na forma de glicogênio, um combustível essencial para os músculos e o cérebro durante a corrida. A quantidade disponível depende do que você comeu nas horas e nos dias anteriores, do que consome durante a corrida e de como se reabasteceu depois do último treino (Burke et al., 2011). Estoques baixos costumam aparecer como peso no fim de esforços longos ou fortes, ou depois de vários dias fortes seguidos comendo pouco.
Solução: inclua carboidrato na refeição ou no lanche antes das corridas mais longas. Em treinos fortes de cerca de uma hora, até uma pequena quantidade de carboidrato pode ajudar. Para corridas mais longas, os cientistas do esporte sugerem de 30 a 60 gramas por hora, e até 90 gramas por hora em esforços de mais de 2,5 horas (Burke et al., 2011). Nosso guia sobre o muro da maratona trata da versão extrema desse problema na maratona.

Desidratação e Calor
A perda de líquido se acumula em corridas longas ou com muito suor. O American College of Sports Medicine recomenda beber o suficiente para não perder mais de 2% do peso corporal em água, porque perdas maiores podem prejudicar o desempenho (ACSM, 2007). A taxa de suor varia muito de um corredor para outro, e se pesar antes e depois da corrida é a forma mais simples de estimar a sua.
O calor piora a situação. O tempo quente acrescenta um estresse físico que pode reduzir a resistência, então o mesmo ritmo parece mais difícil num dia quente. Treinar repetidamente no calor ao longo de uma a duas semanas ajuda o corpo a se adaptar (Racinais et al., 2015).
Eletrólitos como o sódio importam em esforços longos e com muito suor, mas, se as pernas também têm cãibra, a falta de eletrólitos provavelmente não é a causa principal. Em um estudo com 210 triatletas de Ironman, os que tiveram cãibra apresentaram níveis de eletrólitos no sangue e variações de peso parecidos com os de quem não teve. Os fatores de risco foram, na verdade, competir em ritmo mais rápido e ter histórico de cãibras (Schwellnus et al., 2011).
Solução: em corridas leves de menos de uma hora, água costuma bastar. Em corridas mais longas, mais quentes ou com mais suor, um isotônico com sódio e carboidrato pode ajudar mais do que só água. Mas não exagere bebendo muito mais do que você sua. Em um estudo com 488 concluintes da Maratona de Boston, 13% estavam com sódio baixo no sangue (hiponatremia). Os corredores que ganharam peso durante a prova e os que terminaram com tempo acima de quatro horas tinham mais chance de apresentar o problema (Almond et al., 2005).
Em dias quentes, diminua o ritmo e avalie a corrida pelo esforço, e não pelo ritmo no relógio. Se sentir tontura, enjoo ou dor de cabeça no calor, pare, vá para um lugar fresco e beba um pouco de água ou isotônico. Confusão mental, ou continuar se sentindo mal depois de 30 minutos se refrescando, pode ser sinal de insolação, então ligue para o SAMU (192) (NHS).
Ferro Baixo e Alimentação Insuficiente
O ferro ajuda a levar oxigênio aos músculos e participa da produção de energia, e ferro baixo é comum em atletas. Estudos encontraram deficiência de ferro em cerca de 15% a 35% das atletas mulheres e em 5% a 11% dos atletas homens (Sim et al., 2019). Corredores de resistência podem perder ferro a mais pelo intestino e pela destruição de glóbulos vermelhos. Quando o ferro baixo vira anemia, os sinais típicos incluem cansaço e falta de ar (NHLBI).
Comer pouco no geral pode causar uma queda parecida. Baixa disponibilidade energética significa comer pouco demais para o treino que você faz, e isso pode prejudicar a saúde e o desempenho, tanto de mulheres quanto de homens. O Comitê Olímpico Internacional chama a síndrome resultante de Deficiência Energética Relativa no Esporte, ou REDs, na sigla em inglês (Mountjoy et al., 2023).
Solução: se o peso é persistente, vem com um cansaço geral e não se explica pela carga de treino ou pelo sono, converse com um médico sobre um exame de sangue antes de tomar ferro. Outros problemas podem causar os mesmos sintomas, então confirme a causa primeiro. Se você está treinando forte enquanto come menos, um nutricionista pode ajudar a ajustar a alimentação ao seu treino (Thomas et al., 2016).
Causas Ligadas ao Estilo de Vida
Estas duas causas não estão na sua planilha de treino. Mesmo assim, qualquer uma delas pode deixar as corridas mais difíceis do que seriam.
Sono Ruim
Dormir pouco ou mal pode fazer um treino normal parecer mais difícil. As pesquisas sobre privação de sono e exercício têm resultados mistos, mas os poucos estudos que testaram o desempenho específico do esporte em atletas depois da privação de sono encontraram queda. O sono ruim também pode gerar sintomas parecidos com os do overtraining (Fullagar et al., 2015).
Solução: tente dormir pelo menos sete horas por noite, com horários regulares para deitar e acordar. A American Academy of Sleep Medicine recomenda sete horas ou mais para adultos (Watson et al., 2015), e a National Sleep Foundation indica de sete a nove horas para adultos (Hirshkowitz et al., 2015). Se as pernas estão pesadas há algum tempo, olhe para como você tem dormido, e não só para como tem treinado.

Fadiga Mental
Um dia mentalmente desgastante, no trabalho ou em casa, pode deixar a corrida pesada mesmo quando as pernas estão bem. Em um estudo de laboratório, 16 pessoas pedalaram até a exaustão depois de 90 minutos de uma tarefa mental exigente. Elas desistiram antes (640 contra 754 segundos, em média) e acharam o esforço mais difícil, enquanto o coração, os pulmões e os músculos responderam praticamente como de costume (Marcora et al., 2009). Uma revisão de 11 estudos encontrou o mesmo padrão nos exercícios de resistência, sem efeito sobre força e potência (Van Cutsem et al., 2017).
Solução: mantenha a corrida leve e deixe o esforço, e não um ritmo predefinido, guiar o treino. Se um dia desgastante coincidir com um treino forte, pense em passar o treino para um dia em que você esteja mais descansado.
Você Deve Correr Hoje? Um Guia Rápido de Decisão
Leia isto antes de sair.

- Leve sensação de peso que passa no primeiro quilômetro e meio, mais ou menos: pode correr, mas mantenha o ritmo leve.
- Pernas doloridas e pesadas um ou dois dias depois de um treino forte ou de uma sessão nova de musculação: faça uma corrida curta e leve, ou tire o dia de descanso.
- Peso em uma perna só, com inchaço, calor, vermelhidão ou dor, ou peso com dor aguda que não melhora conforme você aquece: não corra e procure orientação médica logo. Se também tiver dor no peito ou dificuldade para respirar, ligue para o SAMU (192).
- Aperto, dor ou formigamento que começa no mesmo ponto em toda corrida e passa depois que você para: consulte um médico antes de continuar aumentando a quilometragem.
- Peso que vem aumentando há mais de uma semana, apesar dos dias de descanso: reduza o volume ou a intensidade antes do próximo treino forte, usando como guia a seção sobre treino em excesso e recuperação, mais acima.
Se a descrição de uma perna só ou de dor aguda se encaixa no seu caso, não tente correr assim mesmo para "ver se solta". É desse jeito que um problema administrável pode virar uma lesão de verdade ou um problema médico que passa despercebido.
Quando Pernas Pesadas Podem Ser Uma Questão Médica, Não de Treino
A maioria dos casos de pernas pesadas vem do treino, da alimentação, do sono ou da postura de corrida. Uma parcela menor vem de condições que uma mudança no treino não resolve, incluindo a má circulação. Vale conhecer esses padrões, mas isto não é uma ferramenta de autodiagnóstico.

- Síndrome compartimental crônica do esforço: dor, cãibra, aperto, formigamento ou fraqueza, geralmente na parte inferior das pernas, que começa sempre depois do mesmo tempo, distância ou intensidade e passa em até cerca de 15 minutos depois que você para. É mais comum em corredores adultos jovens, muitas vezes afeta as duas pernas e pode ser confundida com canelite (Mayo Clinic).
- Coágulo sanguíneo (trombose venosa profunda): inchaço, dor, sensibilidade ao toque ou vermelhidão, geralmente em uma perna só. Coágulos são mais prováveis durante ou logo depois de uma internação ou cirurgia, ou depois de longos períodos sem se movimentar, como em viagens longas (CDC; NHS). Procure atendimento médico logo se notar esses sinais.
- Doença arterial periférica (DAP): artérias estreitadas reduzem o fluxo de sangue para as pernas e causam dor, incômodo ou cãibra durante a atividade, que melhoram com o repouso. Nos Estados Unidos, cerca de 6,5 milhões de adultos com 40 anos ou mais têm DAP, e ter mais de 60 anos é um fator de risco. Até 4 em cada 10 pessoas com DAP não sentem nenhuma dor nas pernas (CDC).
- Varizes: veias dilatadas e tortuosas que podem causar dor, pernas pesadas e tornozelos inchados. São comuns e geralmente não são graves, e correr ou caminhar regularmente faz parte das orientações de autocuidado do NHS, o serviço público de saúde britânico (NHS). As estimativas de prevalência publicadas variam muito, de menos de 1% a 73% nas mulheres e de 2% a 56% nos homens (Beebe-Dimmer et al., 2005).
- Ferro baixo ou alimentação insuficiente: cansaço persistente e pernas pesadas que o treino não explica (veja ferro baixo e alimentação insuficiente, mais acima).
Se o peso aparece mesmo quando você não tem corrido muito, não acompanha o seu treino nem o seu sono, ou vem com inchaço visível, mudanças na cor da pele ou feridas que demoram a cicatrizar, converse com um médico em vez de continuar mexendo no treino.
Como Prevenir Pernas Pesadas na Corrida
Combine a solução com a causa por trás do seu padrão de peso nas pernas.

- Carga de treino: a maioria das corridas deve ser leve. Aumente o volume ou a intensidade aos poucos e evite saltos bruscos em qualquer um dos dois conforme o treino evolui. Reserve pelo menos um dia de descanso ou de corrida leve em toda semana.
- DOMS: mantenha a musculação longe dos treinos-chave. Deixe espaço na programação para a dor muscular e organize as corridas levando em conta aquela janela de 24 a 72 horas.
- Resistência muscular: inclua sessões curtas de força aos poucos, até chegar a duas ou três por semana.
- Postura: dê passos mais rápidos e mais leves, tentando aterrissar mais perto, logo abaixo do corpo, a cada passada.
- Combustível e líquidos: coma carboidrato antes das corridas mais longas e se alimente durante as corridas de mais de cerca de uma hora. Diminua o ritmo quando estiver quente. Para limitar a perda de líquido, beba o suficiente, mas não mais do que você sua.
- Ferro e ingestão total: coma o suficiente para o treino que você faz. Pergunte sobre um exame de sangue se o peso persistir junto com um cansaço geral.
- Sono: durma pelo menos sete horas por noite. Proteja ainda mais esse sono conforme as semanas de treino ficam mais pesadas.
- Ajuste do tênis: um tênis mal ajustado é uma possibilidade a descartar. Se não tem certeza de que o seu par atual calça bem, use nosso guia para conferir se o tênis de corrida serve direito. Tênis gastos são um culpado menos provável: em um estudo, corredores que rodaram cerca de 320 quilômetros com o mesmo par mudaram levemente a passada, mas as forças de impacto continuaram as mesmas (Kong et al., 2009).
Comece com uma semana regenerativa curta. Ela vale a tentativa se você já passou por essa lista e as pernas continuam pesadas em corridas que antes pareciam normais. Uma semana regenerativa significa menos quilometragem, mais sono e carboidrato suficiente. Se uma ou duas semanas assim não ajudarem, pare de tentar adivinhar. Procure um médico para descartar causas médicas. Você também pode pedir a um treinador que analise o seu histórico de treinos.
Perguntas frequentes
Por que minhas pernas ficam pesadas depois da corrida, e não durante?
Geralmente os músculos ainda estão se recuperando. É isso que o peso depois da corrida significa, e não um sinal de que algo deu errado. O glicogênio está mais baixo nesses músculos, e as fibras ainda precisam de tempo para se reparar depois do trabalho que fizeram. Caminhar com calma por alguns minutos pode ser agradável. As pesquisas indicam que a volta à calma faz pouco pela dor do dia seguinte. Depois da corrida, priorize se reabastecer e dormir o suficiente. Se o peso continuar no dia seguinte a um treino forte, é um sinal normal de que você se esforçou mais do que o habitual, e não um alerta por si só.
Pernas pesadas significam que estou fora de forma ou perdendo condicionamento?
Normalmente, não. Uma semana puxada pode deixar até corredores muito bem condicionados com as pernas pesadas. Essa sensação não é uma medida confiável do seu condicionamento. Ela tende a refletir mais a recuperação, a alimentação e o sono do que a sua forma física. Dias fortes seguidos também podem provocá-la, enquanto um corredor iniciante pode se sentir bem num trote leve. Fique atento a um peso que persiste em vez de diminuir conforme o treino fica mais consistente. Isso aponta para uma falha na recuperação ou para uma das outras causas acima, e não para perda de condicionamento.
Qual é a diferença entre pernas pesadas e pernas bambas?
Pernas pesadas parecem densas e difíceis de levantar, como se você corresse com um peso extra amarrado, e costumam vir junto com fadiga, pouco combustível ou sono ruim. "Pernas bambas" são pernas que parecem trêmulas ou instáveis, muitas vezes logo depois de um esforço muito forte, como a chegada de uma prova ou um intervalado puxado. As duas costumam passar com descanso. Fraqueza ou dormência que volta sempre durante o exercício, ou que aparece sem um esforço forte, merece uma consulta médica.
Meias de compressão ajudam com pernas pesadas?
Meias de compressão ou canelitos podem melhorar a sensação nas pernas. Dificilmente vão fazer você correr mais rápido. Em uma revisão de estudos com corredores, os tempos de prova não mudaram de forma relevante. A revisão encontrou bem menos dor muscular nas pernas depois da corrida. Pense neles como um recurso de conforto ao lado da solução de verdade (mais recuperação, alimentação melhor ou mais sono), e não como substitutos dela. Se as pernas ficam pesadas independentemente do que você usa, olhe primeiro para a carga de treino e a recuperação. Se uma perna estiver inchada ou dolorida, procure avaliação médica em vez de recorrer à compressão.
Quantos dias de descanso são necessários para as pernas pesadas melhorarem?
Para o peso comum depois de um treino forte, um ou dois dias de descanso costumam bastar. Duas corridas mais curtas e mais leves também costumam resolver. Essa dor tem nome: DOMS (dor muscular de início tardio). Ela costuma surgir nas 24 a 72 horas depois do treino e depois passa sozinha. Espere que uma corrida leve no dia seguinte pareça mais pesada. Um peso que dura mais de uma semana apesar dos dias de descanso é outro padrão e geralmente indica carga de treino acumulada. Uma sobrecarga de curto prazo pode passar em cerca de duas semanas de treino mais leve. Se a sua não passou, procure um médico para descartar causas como ferro baixo.
Pernas pesadas podem ser sinal de trombose?
Em casos raros, sim. Vale conhecer os sinais de alerta, mesmo que a maioria dos casos de pernas pesadas não tenha nada a ver com coágulos. Um coágulo sanguíneo (trombose venosa profunda) geralmente afeta uma perna só. Ele causa inchaço, dor, sensibilidade ao toque ou vermelhidão que o treino não explica. Coágulos são mais prováveis depois de uma cirurgia, de uma internação ou de uma viagem longa. A fadiga comum depois da corrida afeta as duas pernas. Ela melhora em um ou dois dias depois que a corrida termina. Se notar o padrão de um lado só, procure atendimento médico logo, em vez de esperar passar, e ligue para o SAMU (192) se também tiver dor no peito ou dificuldade para respirar.
Tênis velhos ou gastos podem causar pernas pesadas?
Vale verificar se o problema não é um par gasto e sem amortecimento, embora o tênis provavelmente não seja a causa sozinho. Em um estudo, corredores usaram o mesmo tênis por cerca de 320 quilômetros. A passada mudou um pouco: o contato com o solo ficou mais longo e os ângulos do tornozelo mudaram. Mas as forças de impacto continuaram as mesmas, provavelmente porque o corpo se adaptou. Vale testar um par mais novo. Troque se o tênis que você usa parece ter perdido o amortecimento. Também vale trocar se você não se lembra da última vez que comprou um par novo. Veja se as corridas ficam diferentes. Se não ficarem, olhe para o treino, a alimentação e o sono.