O canal auditivo praticamente não tem gordura sob a pele, o que o deixa mais exposto ao frio e à pressão do que a maior parte do corpo. É um dos motivos pelos quais uma dorzinha em uma corrida fria vira uma pontada forte e latejante assim que você para e o corpo começa a esquentar de novo.

Cruzamos as explicações mais comuns (frio, tensão na mandíbula, fone de ouvido mal ajustado) com orientações de otorrinolaringologistas e organizamos cada causa junto com a solução que realmente funciona.

Este guia traz 12 possíveis causas, do frio e da tensão na mandíbula à dor referida vinda da garganta, associa cada uma a uma solução para o mesmo dia e mostra exatamente quando vale mais ir ao médico do que continuar ajustando equipamento. Vamos direto ao ponto.

Resposta rápida: as causas mais comuns

A maior parte da dor de ouvido durante ou depois de correr se resume a uma de cinco causas: ar frio ou vento, tensão na mandíbula, fone de ouvido mal ajustado, dor referida da garganta ou dos seios da face, ou alguma condição de base como alergia ou infecção. A boa notícia: quase todas têm solução sem precisar de médico.

Seu padrão de sintomaCausa provávelExperimente primeiro
A dor começa ao ar livre, no frio ou ventoAr frio, vasos sanguíneos contraídosProteja os ouvidos (veja a escada de equipamentos abaixo)
A dor combina com a mandíbula tensa ou doloridaTensão na ATMRelaxe a mandíbula conscientemente; hidrate-se
A dor piora com o fone de ouvidoAjuste ruim ou volume altoTroque o modelo, cheque o encaixe, abaixe o volume
A dor veio com uma subida ou mudança de altitudePressão/barotraumaMasque chiclete, boceje ou engula para equalizar
A dor veio com dor de garganta, nariz entupido ou pescoço tensoDor referida ou crise de alergia/sinusiteTrate a garganta ou os seios da face, não o ouvido
A dor não passa depois de esquentar ou dura mais de 2 diasPossível infecçãoProcure um médico

É normal a orelha doer quando você corre?

A dor de ouvido ao correr é comum, mas não é algo que você deve simplesmente aceitar como parte do esporte. Quase sempre existe uma causa específica e identificável por trás, e a maioria delas tem solução ainda no mesmo dia.

Use este artigo como um fluxo de investigação: percorra as causas abaixo, encontre a sua e experimente a solução correspondente. Se nada bater ou a dor não ceder, a seção de sinais de alerta mais adiante mostra quando parar de tentar adivinhar e procurar um médico.

Ar frio e vento: a causa número um

O frio é o motivo mais comum de dor de ouvido em corredores, tanto durante a corrida quanto na hora seguinte. A pele do canal auditivo quase não tem gordura por baixo, então tem pouco isolamento em comparação com o resto do corpo.

Quando o ar frio ou o vento atinge essa pele fina, as terminações nervosas disparam e os vasos sanguíneos se contraem. O otorrinolaringologista Ronen Nazarian explica que a dor costuma ser "profunda, porque na verdade é o osso sensível sob a pele que está reagindo, não a pele em si". É por isso que só levantar o capuz raramente ajuda: o vento continua alcançando o canal auditivo.

Isso também explica por que os ouvidos costumam doer mais depois de parar do que durante a corrida. O corpo direciona mais sangue para os músculos das pernas e tira dos ouvidos, que têm pouca musculatura própria para se manter aquecidos. Quando você para e o corpo volta a esquentar, essa mudança repentina no fluxo sanguíneo pode gerar uma nova onda de dor.

Se, mesmo dentro de casa, a dor não passar em cerca de uma hora, vale prestar atenção nisso (mais sobre isso na seção de sinais de alerta).

Exostose ("orelha de surfista"): a versão de longo prazo

Se você pesquisou por aí, deve ter encontrado o termo "exostose": o osso dentro do canal auditivo engrossa ao longo de anos de exposição repetida ao frio ou à água. O apelido "orelha de surfista" vem do fato de ser mais comum nesse esporte, mas o Dr. Nazarian destaca que pode afetar qualquer atleta regularmente exposto a frio ou água.

A exostose não é uma infecção e não é a mesma coisa que a otite externa, o "ouvido de nadador" (mais adiante). Ela se desenvolve devagar, e em algumas pessoas não causa sintoma nenhum. Outras notam sensação de plenitude, saída de líquido ou mudanças na audição.

Isso só vira uma preocupação real se você corre há anos com os ouvidos descobertos em temperaturas negativas. Se esse problema é novo para você, dificilmente é essa a causa. O termo está aqui só para você reconhecê-lo se aparecer, sem confundir com uma infecção.

Tensão na mandíbula (ATM) e desidratação

A segunda causa mais comum é a tensão na articulação temporomandibular (ATM), a dobradiça que liga sua mandíbula ao crânio, bem ao lado do canal auditivo.

Corredores costumam trincar os dentes sem perceber, principalmente em esforços fortes ou em prova. Esse aperto sobrecarrega a ATM, e como ela fica tão perto do ouvido, a dor se espalha direto para lá. Se você também range os dentes à noite, uma corrida pela manhã já começa com o efeito potencializado.

A desidratação piora isso. A ATM depende de líquido sinovial suficiente para se mover sem atrito, e quando você está desidratado, surge mais atrito e desconforto, que pode se espalhar para o canal auditivo ou o ouvido médio.

Na prática: cheque a mandíbula a cada um ou dois quilômetros. Se estiver travada, solte os ombros, relaxe a mandíbula e deixe-a levemente entreaberta por algumas passadas. Parece pouco, mas interrompe o padrão de tensão antes que ele vire dor.

Fones de ouvido mal ajustados ou muito altos

Se o ouvido só dói quando você usa fone, essa é quase certamente a sua resposta.

Fones mal ajustados fazem pressão constante no canal auditivo, e essa pressão piora quando você ainda coloca gorro, faixa ou capuz por cima no frio. O suor acumulado dentro do fone também pode irritar e, com o tempo, deixa sujeira e bactérias no canal auditivo.

O volume é outra questão à parte. Música muito alta pode sobrecarregar o ouvido interno e causar pressão, latejo e, com exposição repetida, dano real à audição. Se o ouvido fica zumbindo ou "cheio" depois de correr com fone, o corpo está avisando que o volume estava alto demais, não que o canal auditivo é frágil.

Pressão do ar e mudanças de altitude

O ouvido médio e o ouvido interno são sensíveis à pressão atmosférica. Um ganho relevante de altitude durante uma corrida, ainda mais se for rápido, pode criar uma diferença de pressão entre os dois tímpanos, uma forma leve do mesmo barotrauma que mergulhadores e passageiros de avião enfrentam.

A solução é a mesma que os comissários de bordo recomendam antes da decolagem: mascar chiclete, bocejar ou engolir. As três ações abrem a trompa de Eustáquio e deixam a pressão se equalizar dos dois lados do tímpano. Se você já leva chiclete em corridas longas para energia ou foco, ele cumpre dupla função aqui; veja chiclete durante a corrida para saber quando isso ajuda e quando não ajuda.

Dor referida: quando o problema não é o ouvido

Nem toda dor que você sente no ouvido começa ali. Vale destacar isso como uma categoria própria, porque é fácil supor que o problema é o ouvido em si quando não é.

Músculos do pescoço tensos, garganta seca por respirar pela boca em esforço forte ou seios da face congestionados podem irritar tecidos que compartilham vias nervosas com o ouvido. O cérebro interpreta o sinal como dor de ouvido, mesmo sem nada de errado no ouvido em si.

Um teste prático: pressione com cuidado ao redor da orelha e do canal auditivo. Se não doer ao toque, mas você tiver pescoço travado ou dor de garganta, a dor provavelmente é referida de algum lugar próximo, não do ouvido em si. Tratar a tensão no pescoço ou a irritação na garganta, não o ouvido, é o que realmente resolve.

Condições de base que podem causar dor de ouvido

As causas acima são majoritariamente mecânicas ou ambientais, e a maioria você resolve sozinho. As de baixo são de natureza médica. São menos comuns como primeira explicação, mas vale descartá-las se nada acima bater, ou se outros sintomas aparecerem junto com a dor de ouvido.

Otite e sinusite

Tanto a otite média quanto a sinusite podem causar dor de ouvido que fica mais perceptível com o aumento da circulação e as mudanças de pressão do exercício. Fique atento a tontura, sensação de estalo ou plenitude, febre baixa ou pressão no rosto junto com a dor de ouvido. Isso é caso para médico, não para ajuste de equipamento.

Alergias sazonais

As alergias inflamam o tecido ao redor da trompa de Eustáquio, deixando o ouvido entupido ou cheio, às vezes com uma dorzinha leve. Se isso coincide com a época de pólen ou um gatilho de alergia conhecido, um anti-histamínico ou descongestionante de venda livre antes da corrida é um primeiro passo razoável.

Refluxo (azia)

O refluxo pode causar sintomas bem além da azia, incluindo desconforto referido que sobe pela garganta até o ouvido. Alguns corredores com refluxo notam essa ligação justamente durante o exercício, quando o aumento da pressão abdominal empurra o ácido ainda mais para cima.

Se isso soa familiar, a solução prática é ajustar horário e alimentação: evite correr poucas horas depois de uma refeição grande e evite alimentos ácidos ou gordurosos antes de correr. Se o padrão se repete, vale mais conversar com um médico do que só administrar em volta do treino.

Ouvido de nadador

O ouvido de nadador (otite externa) é uma infecção bacteriana do canal auditivo externo, causada por umidade retida, seja água de piscina, suor ou ar úmido. O mecanismo é diferente da exostose citada acima: é uma infecção ativa, não uma mudança óssea lenta, e costuma aparecer mais rápido, com dor mais evidente e às vezes secreção.

Tímpano perfurado

Um rasgo ou perfuração no tímpano é raro só por causa da corrida, mas correr pode deixar uma perfuração já existente mais desconfortável. Isso é caso para médico, não para esperar passar. Os sinais incluem dor aguda, saída de líquido, zumbido ou uma mudança repentina na audição.

Quando a dor de ouvido ao correr é um sinal de alerta

A maior parte do que foi listado acima se resolve com uma mudança simples: proteger o ouvido, relaxar a mandíbula, ajustar o fone ou esperar passar uma mudança de pressão. Aqui é onde o autocuidado para e o médico entra:

  • Dor que não passa depois de cerca de uma hora aquecendo dentro de casa. Segundo o Dr. Nazarian, se o calor não resolve, isso aponta mais para uma infecção do que para uma simples reação ao frio.
  • Dor que dura mais de 2 dias, independentemente da temperatura ou da atividade.
  • Febre, tontura ou uma mudança repentina na audição.
  • Líquido ou secreção saindo do ouvido.
  • Dor depois de uma pancada ou lesão direta no ouvido, mesmo que pequena.

Qualquer um desses sinais já é motivo suficiente para procurar um médico ou otorrinolaringologista. Nenhum deles é para você aguentar na esperança de que passe sozinho.

Como prevenir dor de ouvido ao correr

Depois de identificar a causa provável, a prevenção costuma ser rápida e específica de aplicar.

Uma escada de equipamentos para proteção contra o frio

A dor de ouvido relacionada ao frio responde bem a camadas, mas mais proteção não é automaticamente melhor; ajuste o equipamento às condições em vez de sempre pegar a opção mais grossa.

CondiçõesEquipamentoPor quê
Vento leve, fresco mas não frioProtetor auricular (espuma ou sob medida)Bloqueia o vento sem superaquecer o ouvido; protetores sob medida com membrana permeável ao som deixam você perceber o trânsito
Frio de verdadeFaixa ou protetor de orelhaCobertura direcionada que fica justa sem o volume de um gorro inteiro
Frio extremo ou corrida longa ao ar livreGorro ou balaclava, combinado com abafador de orelhaCobertura total para exposição prolongada; também reduz o risco de queimadura pelo frio nos dias mais gelados

Você sabe que a camada está funcionando quando a dor nem começa, não só quando fica menos forte depois. Se ainda sentir dor na camada atual, suba um nível na escada em vez de adicionar mais do mesmo.

Soluções para tensão na mandíbula, fones e condições de base

  • Tensão na mandíbula: faça uma checagem da mandíbula a cada quilômetro ou dois. Hidrate-se bem antes e durante corridas mais longas. Se o aperto for um problema crônico além da corrida, vale considerar uma placa de mordida ou conversar com o dentista sobre a ATM.
  • Fones de ouvido: confirme se está usando o tamanho certo de ponteira, experimente um modelo over-ear ou de condução óssea se o intra-auricular continuar incomodando, limpe os fones depois de corridas suadas e mantenha o volume em um nível em que você ainda ouviria um carro atrás de você.
  • Alergias e sinusite: trate o gatilho de verdade (anti-histamínico, descongestionante ou evitar o gatilho conhecido antes da corrida) em vez de só tratar o sintoma no ouvido.
  • Refluxo: ajuste o horário das refeições antes de correr e converse com o médico se o padrão se repetir.
  • Infecções ou tímpano perfurado: isso não se resolve sozinho. Procure um médico para tratar, em vez de mexer em equipamento ou horário.

Um autoteste rápido antes da próxima corrida, caso ainda esteja em dúvida:

  1. Está frio ou ventando onde estou correndo? Se sim, comece pela escada de equipamentos.
  2. Estou usando fone de ouvido, e a dor bate com isso? Se sim, cheque primeiro o encaixe e o volume.
  3. Tenho dor de garganta, pescoço travado ou nariz entupido junto com a dor de ouvido? Se sim, é provável que seja dor referida, trate isso em vez do ouvido.

Próximos passos

Combine seu padrão de sintoma com uma causa usando a tabela de resposta rápida no início, experimente a solução específica na próxima corrida e dê uma ou duas sessões antes de decidir que não funcionou. Se você já descartou as causas comuns ou bateu em algum dos sinais de alerta acima, esse é o sinal para procurar um médico em vez de continuar testando equipamento. A maioria dos corredores percebe que o ouvido para de doer assim que trata a causa real, em vez de simplesmente aguentar firme.

Perguntas frequentes

Por que meu ouvido dói mais depois que paro de correr do que durante a corrida?

Durante a corrida, o corpo direciona mais sangue para os músculos das pernas e tira dos ouvidos, que têm pouca musculatura própria para se manter aquecidos. Quando você para, o fluxo sanguíneo volta rápido, e essa mudança repentina pode gerar uma nova onda de dor no canal auditivo, principalmente no frio. É uma resposta normal à temperatura e à circulação, não um sinal de lesão por si só.

É normal o ouvido doer ao correr no frio?

Sim, a dor de ouvido relacionada ao frio é comum e geralmente vem de vasos sanguíneos contraídos e da pele fina e pouco isolada do canal auditivo. Para a maioria dos corredores, isso é desconfortável, mas não perigoso, e costuma passar depois de cerca de uma hora aquecendo dentro de casa. Se a dor não passar depois de esquentar, ou acontecer em toda corrida no frio, cobrir o ouvido com uma faixa ou protetor auricular é a solução mais simples.

Qual a diferença entre ouvido de nadador e orelha de surfista (exostose)?

O ouvido de nadador é uma infecção bacteriana do canal auditivo externo causada por umidade retida, e costuma aparecer rápido, com dor evidente ou secreção. A orelha de surfista (exostose) é uma mudança óssea lenta no canal auditivo, causada por anos de exposição repetida ao frio ou à água, e pode ficar muito tempo sem causar sintoma nenhum. Os nomes soam parecidos, mas um é uma infecção ativa e o outro é uma mudança estrutural gradual.

O acúmulo de cera pode causar dor de ouvido ao correr?

Sim, um acúmulo grande de cera pode reter umidade e gerar pressão no canal auditivo, e a maior circulação sanguínea da corrida pode deixar essa pressão mais perceptível. É uma causa menos comum do que frio, tensão na mandíbula ou fone mal ajustado, mas vale descartar se o ouvido também estiver entupido ou abafado. Um médico pode verificar se há uma rolha de cera e remover o excesso com segurança, caso seja essa a causa.

Mascar chiclete ajuda com a pressão no ouvido ao correr?

Sim, mascar chiclete faz você engolir com mais frequência, o que abre a trompa de Eustáquio e ajuda a equalizar a pressão entre o ouvido médio e o ar externo. É mais útil em subidas ou mudanças rápidas de altitude, quando a diferença de pressão se acumula rápido. Bocejar ou engolir de propósito funciona da mesma forma, se você preferir não usar chiclete.

Música alta no fone de ouvido pode prejudicar a audição ao correr?

Sim, ouvir música acima de um volume seguro pode sobrecarregar o ouvido interno e, com o tempo, causar dano real à audição, não só o latejo temporário. Zumbido ou uma sensação de ouvido "cheio" depois da corrida é sinal de que o volume estava alto demais. Manter o volume em um nível em que você ainda ouve o trânsito ao redor protege sua audição e sua segurança ao mesmo tempo.

Quando a dor de ouvido depois de correr deve ser avaliada por um médico?

Procure um médico se a dor não passar depois de cerca de uma hora aquecendo dentro de casa, ou se durar mais de dois dias. Febre, tontura, mudanças repentinas na audição ou líquido saindo do ouvido também são motivos para avaliação em vez de esperar passar. Dor depois de uma pancada direta no ouvido, mesmo pequena, também vale uma consulta rápida.

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Alex Roven
Alex Roven

Completei minha primeira corrida de 10 km por causa de uma aposta. Um ano depois, corri minha primeira meia maratona. No ano seguinte, terminei minha primeira maratona completa. Hoje corro quatro maratonas por ano e uma meia maratona toda semana. Aprendi tudo sobre corrida na prática, do jeito mais difícil. É por isso que ajudo outros corredores a alcançarem melhores resultados com mais facilidade.